Desafios da Educação para Acolher Crianças com Necessidades Especiais

Quais os desafios da educação para acolher crianças com necessidades especiais? Juliana Almeida, 42 anos, traça o perfil de uma mãe que sofre para que seus dois filhos, portadores de necessidades especiais, tenham acesso à educação de forma igualitária e que a escola e os professores sejam capacitados para acolher tais diferenças.

Juliana conta que na escola do seu filho mais velho, cadeirante, sequer havia acesso na calçada para subirem com sua cadeira de rodas. Essa adaptação na calçada foi feita em pouco tempo após a escola pública onde seu filho estuda receber o aluno com tal necessidade, mas a rampa que possibilitou que seu transpusesse os degraus por conta própria só foi providenciada 3 meses após a matrícula. E seu filho não é o único cadeirante da escola.

Com seu filho mais novo, estudante de outra escola pública da grande Belo Horizonte, o desafio é ainda maior. Depois de percorrer diversos especialistas e ter o diagnóstico de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e ser tratado na escola como um aluno “pouco interessado” nos estudos, finalmente, quando seu filho tinha 12 anos, este foi diagnosticado como portador da Síndrome de Asperger, perfil que integra o Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Ainda, segundo a mãe, os desafios para o seu filho mais velho eram apenas barreiras físicas, que, algum tempo depois, foram solucionados e que seu filho é muito bem aceito por colegas e professores.

Entretanto, os desafios de inclusão do seu filho mais novo são bem maiores, uma vez que a mãe percebe que, embora a escola pretenda ser inclusiva, os professores não são capacitados para lidar com os diversos alunos com as mais variadas necessidades.

O nome verdadeiro da mãe, foi preservado a pedido da mesma. Mas esse é o desafio que mães, pais e milhões de alunos enfrentam diariamente para ter acesso a educação inclusiva de qualidade no Brasil, sobretudo nas escolas da rede pública.

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A inclusão é um direito

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a inclusão é um direito constitucional, que garante o atendimento educacional especializado a estudantes com as mais variadas necessidades especiais na rede regular de ensino.

Todavia, o conceito de inclusão, de simplesmente a escola inserir o aluno no ambiente escolar está muito aquém de atender esses mesmos alunos de forma inclusiva de verdade, com capacitação séria de todos os profissionais nas escolas, assim como uma adaptação da instituição e da cultura escolar.

É muito mais do que construir uma rampa para um cadeirante ou permitir que alunos diagnosticados com os mais diferentes transtornos frequentem as mesmas turmas que os demais alunos.

Sim, a inclusão também é isso, mas é necessário que a cultura escolar seja preparada para essa realidade, oferecendo subsídios, principalmente para professores, tanto material quanto de conhecimento, aprendizado, técnicas para acolher e atender a todos os alunos da melhor forma possível.

Desafios da Educação para Acolher Crianças com Necessidades Especiais

A primeira e talvez mais importante das iniciativas para assegurar a aprendizagem de todos os alunos na escola é fortalecer a formação dos professores e criar uma rede apoio, através da conscientização de alunos, gestores das escolas, professores, pais, profissionais de saúde que atendem crianças com necessidades especiais e demais profissionais nas escolas, como psicólogos, orientadores pedagógicos, serventes etc..

O papel da escola é acolher a todos, conscientizar os alunos que todos merecem estar ali e receber educação de qualidade, mas precisa estar preparada para oferecer apoio psicológico e pedagógico para os alunos com necessidades educacionais especiais.

Segundo o Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020), são considerados alunos da educação especial os educando com algum grau de deficiência, seja ela física, intelectual, visual, auditiva ou múltipla, assim como aqueles com transtorno global do desenvolvimento (TGD) ou com alto grau de habilidades, que é o caso dos alunos superdotados.

As escolas precisam erradicar as barreiras físicas, oferecendo, por exemplo, rampas de acesso e banheiros acessíveis, entre outras iniciativas. Também é importante ter profissionais para apoiar os alunos de forma especializada, auxiliando-os na comunicação, adaptando o material pedagógico e até mesmo ampliando ou acelerando conteúdos quando lidam com alunos com altas habilidades.

Conclusão

É comum ouvir as queixas de pais e dos próprios alunos, quando estes podem falar por si, acerca dos problemas de inclusão e adaptação de educandos com necessidades especiais.

Porém, também se faz urgente ouvir as necessidades e desafios do corpo docente, assim como dos gestores das escolas, que muitas vezes (em sua maioria) não dispõe de recursos financeiros, materiais e pedagógicos  para atender a demanda e acolher como deveriam, os alunos com as mais diversas necessidades.

É necessário que governos federal, estaduais e municipais, através do ministério da educação e das secretarias, se empenhem sobre a questão da inclusão no ensino fundamental, disponibilizem recursos e ofereçam treinamento aos profissionais que lidam diariamente com todos esses desafios.

 

 

 

 

 

 

 

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